quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Quem é Deus?



Mas eu saio da seara da especulação para citar o pensador Alphonse karr, que dizia acreditar no Deus que fez o homem e não no Deus que os homens fizeram.

Por Alberto Magalhães

Eu entendo as pessoas que não acreditam em Deus. Há muitas coisas que depõem contra a Sua existência: pessoas que nascem doentes, perversidade livre contra crianças e contra outras pessoas indefesas, a desigualdade social, a corrupção governamental, SACERDOTES que praticam pedofilia ou desonestidade contra os próprios fiéis, abusando da fé sincera destes; que constroem impérios, quando o Salvador veio estabelecer um reino, nesse tempo, apenas espiritual. E a maldade, usura, egoísmo e sensualidade que proliferam no mundo. Além do fato de que as pessoas nunca viram a Deus. Têm-se uma noção de que o Criador, se Ele existe, nunca se manifestou aos homens. E, se existe e os criou, os abandonou à própria sorte. Um Deus ausente, insensível ao sofrimento humano. Pode ser mais fácil não acreditar na Sua existência. A mente humana julga e sentencia facilmente, segundo a lógica e a razão.

Primeiramente devemos lembrar que o causador de todas essas coisas que vivemos é o próprio homem e não os seres superiores, divinos, ou os seres onipotentes como pregava a mitologia grega e a crença dos nativos em todo o mundo. O que complica as coisas são as interpretações que se dão aos fenômenos sobrenaturais, mediante nossos olhos carnais, conhecimento limitado acerca desses fenômenos e capacidade reduzida de compreendê-los em amplitude e conjuntura. Então estabelecemos nosso conceito prévio, ou preconceito. Como um grão de areia a querer decifrar e definir (origem, composição, finalidade, futuro) de todo o oceano: as correntes marítimas, o sol, os seres marinhos e a própria areia. Ainda determinando se “alguém” os fez ou não. É muita pretensão para um ser que apenas compõe, e de forma muito efêmera, a realidade material do universo que o circunda.

É conveniente culpar outros (principalmente a Deus) pela realidade que cada um de nós causou no mundo em cada momento, em cada dia e por todos os anos da nossa existência. E, também, vivemos plantando espinhos e esperando colher uvas. Se Deus não existisse eu o criaria para que o homem pudesse sair de seu mundinho e enxergar o outro – todos os outros, para que pudesse tirar um pouco o foco de si mesmo, extinguindo o egocentrismo e a desesperança no poder ser melhor, mediante a crença numa sequência a essa dimensão que, por ora, habitamos. Algo além dessa casca de pouca duração chamada corpo físico corrompido. Um mundo melhor, uma sociedade aprimorada em virtude do sofrimento já experimentado e reprovado. Há, certamente, um sentido maior para o ser mais completo (e mais estúpido - pelo egoísmo) na formação do sistema solar, existir.

Mas eu saio da seara da especulação para citar o pensador Alphonse karr, que dizia acreditar no Deus que fez o homem e não no Deus que os homens fizeram. Foi criada a Sua imagem como a de um Ser bravo com a humanidade, vingativo e vingador que punirá a todos; e a de um Ser apenas misericordioso e benevolente, complacente com os erros da humanidade e que, após os últimos acontecimentos, irá abrigar a todos numa morada celeste. Até Hitler vai receber um tapinha nas costas e ouvir: entre meu filho querido, para o paraíso. Primeiramente eu quero dizer que podemos ver Deus. Por meio da capacidade cognitiva que nos faculta perceber a ordem das coisas estabelecidas (alinhamento dos planetas; nuvens para regar a terra; movimentos da terra – rotação e translação – para formar dias e noites e as estações; inteligência exclusiva humana – não condizente com a evolução das espécies comuns...).


Deus pôs o Espírito do homem (Sua semelhança) em corpo aprimorado superior a dos corpos resultantes da evolução das espécies iniciada por Ele. Os animais nascem, crescem e morrem. O homem nasce, cresce, morre e surgirá em corpo evoluído. Como é possível saber isso? Por meio de revelações que o mundo superior transmite a nós, constante nos anais eternos. A revelação nos diz que todos os Espíritos estão corrompidos e que há os irreformáveis (por que não querem deixar o erro). A porta de acesso a esse plano superior é Jesus, o Cristo, Deus revelado fisicamente. Quando Ele veio todas as portas foram fechadas, sem exceção. Não há mais lei (de Moisés), sacrifício (de cordeiros), profetas e profecias (com mais revelações do que as registradas). Ele é a lei viva, o sacrifício perfeito e o profeta universal. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Não apenas aponta o caminho, fala da verdade e promete a vida eterna. Cada um que descubra como isso é possível. Será uma viagem fascinante e uma descoberta ímpar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Dualidade

Alberto Magalhães*

A dualidade de que se trata aqui é a da existência de duas naturezas divergentes, de dois princípios antagônicos. Com fenômenos que revelam a si e ao outro. Não se trata de pura dicotomia, classificando os elementos com características distintas, porém de mesma essência, como se fossem de natureza diversa. Uma porção de água quente comparada à outra de água fria não significa dualidade no verdadeiro sentido do termo. Estas têm em sua composição a mesma substância. A água quente e a fria são água. A temperatura quente e a fria são temperatura. Exemplo da montanha e do grão que a integra. Da vida e da morte. Do amor e do ódio. Da noite e do dia...

A dualidade que eu busco entender é a universal. Aquela que se faz em duas naturezas opostas, e que, embora gerando variáveis que dialogam entre si, não se realizam. Não se tornam uma. Ela é de ordem essencialmente transcendental com reflexos em tudo o que existe. Parece atuar antes da origem da formação material que vislumbramos no dia a dia. Há uma força, uma energia sobre-humana que parece influenciar a caminhada para o caos físico, material, social, moral... Enquanto que há uma força universal a se impor para preservar a ordem natural dos componentes universais existentes e preexistentes. Em cadência se digladiam.

Ambas são desencadeadoras de manifestações conflitantes. Como se alguém estivesse segurando uma pessoa embriagada para que não caia ao solo e outro a estivesse empurrando para baixo. Forças externas ao objeto, exercendo influência sobre este. Uma força almeja a “queda” a outra o restabelecimento, a ordem preservada. Por isso se afirmam independentes. Não se completam. Em seus desígnios tendem a se excluírem mutuamente. Essa adversidade parece nos preceder, por isso imagino que a resolução desse embate será no campo universal. Esse sistema vai alcançar o ponto mais crítico de desordem e depois será renovado.

Em tempo: a Bíblia é um resumido diário dessa história apaixonante. Ao Senhor do bem, toda honra e glória.

*Alberto Magalhães é funcionário público do estado de Sergipe.

A fé

Alberto Magalhães*

É engano pensar que a fé é finalidade em si mesma para uma vida vitoriosa, do ponto de vista espiritual. Ou que ela é o ponto de chegada para o ser humano enlevado. A fé é, por assim dizer, a ponte que nos levará a um efetivo e pleno relacionamento com o autor da fé, com Aquele que a gera naqueles que a apreendem no seu espírito, não no seu intelecto. A fé é o portão de entrada para uma dimensão superior. Para um lugar virtuoso, admirável, mas do qual não se fará parte se não transitar por ele. E por mais crença que se tenha nessa dimensão – com tudo que a compõe – não será integrante do seu universo. Um admirador da plateia não tem parte real com o espetáculo que se realiza no palco.

A fé não é tudo, é só a porta de acesso para o tudo. Se não transpassá-la decididamente e definitivamente a fé não será nada mais que uma visão, e com o passar do tempo poderá se tornar uma miragem. Viver aquilo em que se crê, ou viver por aquilo em que se crê é viver a fé que se tem. O Apóstolo Tiago escreveu que a fé sem as obras é morta. Quem faz as obras tem fé. As obras são contempladas na renúncia pessoal, no despojamento das vontades próprias, no desapego material, nos atos de amor fraternal, verdade, justiça, esperança... As obras apontam para a fé. Já a fé sem obras é olhar a paisagem de longe, por detrás de uma vidraça intransponível, é definhamento espiritual. Miragem de moribundo no deserto.

*Alberto Magalhães é funcionário publico do estado de Sergipe.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O bem vencerá

Por que o mal prospera na terra se temos a fagulha divina em nós? Qual a origem dessa energia maligna que traz a fome, as guerras, as drogas, a criminalidade e a desesperança às nações? O que nos conduz para a frieza espiritual? Por que prevalecem as mentiras desvirtuantes, a rebeldia, as injustiças, a corrupção e o ódio entre pessoas e povos? Por que o mal aparenta prevalecer e tomar conta de tudo, no final? Eu respondo: Há uma inspiração maligna mundial que influencia a humanidade para a descrença e para o descrédito no bem como valor viável ou possível. Uma influência maligna (mas com aparência inofensiva) que, aos poucos, nos induz e corrompe fomentando no imaginário coletivo a nossa libertação do governo divino (com as suas regras 'repressoras') para a independência plena , para a nossa autonomia incondicional, para a implemementação de uma nova ordem mundial essencialmente materialista, capitalista, fisiológica (antiespiritual). Centrada apenas no homem, nos seus desejos, nas suas vontades. E Deus sendo destronizado do centro do nosso mundo e sendo entronizado Aquele que nos inspira para a liberdade total. Há algumas décadas alguém profetizou o desejo oculto no coração do homem: “É proibido proibir”. Essa inspiração libertária que adoece a alma e conturba as sociedades aconteceria como? Seria através da inspiração intelectual de filósofos e pensadores anunciando a morte de Deus e a evolução da espécie, gerando a semente do ceticismo na humanidade? Seria o capitalismo consumista dizendo que o paraiso real é o aqui e o agora? Seria o sistema político corrupto e herético (antiDeus) que nos ensina que não precisamos de um ser superior para nos governar? Seria a música e a dança (desde o rock), as produções televisivas e cinematográficas, a moda e a publicidade ensinando que o verdadeiro sentido da vida está no álcool, no fumo, nas drogas e no sexo? Seria a rebeldia contra a autoridade do pai e da mãe, do professor e da Polícia? Ou seria o resultado de todos esses componentes reunidos potencializando o nosso natural individualismo prepotente, na vontade de sermos, cada um de nós, o centro do mundo? Notemos que a inspiração que nos move é mesquinha, vulgar, indigna, desumana, desagregadora, destrutiva. Damos as costas para a luz em busca das trevas. Se por um momento renunciarmos aos nossos desejos egoistas (o ego é extremamente individualista) e olharmos para a essência do que de bom nos cerca, veremos tanto amor nos pais, nos filhos crianças, em missionários religiosos e nos voluntários da paz, nos dadores de órgãos e nos que fazem sempre a caridade anônima. Acharemos a sabedoria iluminadora da nossa consciência nas Escrituras Sagradas. Veremos o amor do Criador na natureza que nos cerca e no Cristo enviado para nos guiar para os braços do Pai, nos salvando do mal e das trevas, que são as consequências do afastamento do nosso Criador. Ao final desses tempos o maligno será eliminado e a verdade será restaurada. A glória divina será vista e o conhecimento de Deus encherá a terra. 

Alberto Magalhães Presidente do Centro de Estudos e Ação para o Progresso Humano e Social – CEAPHS.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Somente Deus


Shakespeare escreveu: “quem não tem virtudes, assuma uma”. Assim faz o homem com sua fé: se não tem Deus – o Deus verdadeiro - em sua vida, inventa um. Então se fabricam deuses de todos os tipos e formas: de madeira, de barro, de cerâmica, das águas, das matas, guerreiro, a cavalo, a pé, pobre, nobre, uma deusa-mãe (a terra), um deus sol... A pretexto de se relacionar com uma entidade “superior” aponta-se para a existência dessas entidades no plano espiritual como a justificar tudo, até mesmo a prerrogativa divina desses seres, assumindo assim as funções de Deus. Como se o simples fato de ser espiritual significasse ser divino na plenitude da expressão. E como se um Deus eterno, soberano, onisciente e onipotente não fosse suficiente para o homem. Então se veneram espíritos rebeldes, e aos já mortos profetas, seguidores, adoradores de Deus como se estes personificassem Deus, ou seja, como se substituíssem o Ser divino que é o Criador, o Mantenedor do universo, a fonte da vida, a origem da matéria. Esquecem-se de que Deus é simplesmente Soberano, autônomo, independente, completo em si mesmo.

Como se iludir com tantos seres reais ou imaginados, para com eles se relacionar espiritualmente (por meio de rituais, ações mentais, “obrigações”, pactos, objetos, símbolos...) se o Deus, verdadeiro e único, é tão grande, completo, perfeito, suficiente, poderoso, superior ao tempo e a vida? Por que se buscar tão pouco então, se contentar com fragmentos quando se pode ter o todo?

Como também ignorá-lo? Se Ele está aqui a nossa frente em todo o instante, motor propulsor de toda essa engrenagem física e espiritual? Enorme, em uma forma que a nossa mente limitada ainda não compreendeu? A nos constranger em cada nossa ação danosa e a nos encher de refrigério a cada pensamento bom? Ele fez essa bola magnífica, cheia de árvores, frutos e de pássaros para nos acolher. A faz girar para nos trazer as estações e a brisa. Desenhou o sol para iluminar e aquecer, e para quando o astro-rei encerrar o seu turno Ele pintou a lua romântica, abajur da noite. Os pássaros louvam, as flores exalam perfumes, as cores colorem toda a natureza criada, os frutos da terra variam em tantos sabores. As nuvens regam a terra maravilhosamente e desenham no alto um arco íris, assinatura de Deus. Os relâmpagos correm pelo céu e os trovões ribombam gostosamente despertando a todos para vislumbrar um pouco da grandeza de Deus.

Façamos uma coisa então: não coloquemos nada entre nós e o Criador Pai, Filho e Espírito Santo. Nenhuma pessoa, nenhum ser, nenhuma entidade, ninguém por mais maravilhoso que seja. Sejamos nesse momento individualistas. Um minuto de Deus é maior e mais produtivo que a vida toda de qualquer um de nós, por mais brilhante que sejamos. Vamos nos aproximar, nos entregar nos seus braços, abraçá-lo, conversar, agradecer, rir por nosso amor comum e chorar as nossas dores de humano, sabendo que Ele será sensível a tudo isso quando o seu coração for tocado por aquele que o busca como a um filho carente do seu amor. Então a partir daí, ensinarmos a outros a ir sozinhos aos seus braços amigos, nessa experiência pessoal, transcendente, maravilhosa.

8h, 26 de outubro de 2012
Alberto Magalhães

sábado, 2 de junho de 2012

Sobre a homofobia

A nossa mente, geralmente, restringe o nosso entendimento e consequente interpretação das coisas percebidas. Não percebemos, na maioria das vezes, em amplitude por causa da limitação do que se apresenta, na sua forma, que não nos permite de logo discernir o seu conteúdo e a extensão da sua proposta e nuances. E isso é perfeitamente normal, visto que somos sempre limitados ao formato estático do que se nos apresenta.

A frase delineada em anterior texto, por mim escrito, que diz: “Vai se chegar ao ponto de se obrigar um pai heterossexual a comprar roupas femininas para o seu filho adolescente com inclinação homossexual, em razão da lei contra a homofobia”, é um desses exemplos. Esta colocação está inserida no texto “A família esvaziada” onde defendo a legitimidade da família como imprescindível núcleo de edificante formação social, atualmente atingida pela equivocada ingerência de parlamentares o que tem trazido dificuldades aos pais na educação dos seus filhos, estabelecendo na família uma relação meramente assistencialista. Nela, somente obrigações para os pais e direitos para os filhos.

Pois bem, primeiramente, o que é homofobia? Penso que é qualquer atitude contrária a dignidade da pessoa com preferência sexual por pessoas do mesmo sexo. E a atitude intolerante para com eles, realmente, deve ser considerada como algo errado de se praticar. Mas entendo também que qualquer pessoa que não entenda essa opção/propensão homossexual como “normal”, não deve ser considerado como homofóbico, já que essas pessoas têm uma “natureza” antagônica àquela. Mas o homossexual acha a relação heterossexual - embora contrária a que ele idealiza e lhe satisfaz -, absolutamente normal, poderia se dizer. Mas também se pode dizer que a relação heterossexual é a prática original, reprodutiva – dando continuidade a existência do ser humano -, e inter complementar no aspecto biológico. Por meio dessa relação, original e imperiosa, o próprio optante da prática sexual distinta dessa veio a existir.

A psicanálise ensina que não existe o repressor verdadeiramente, mas o reprimido. Não existe repressão real para quem não se sente reprimido, como não existe a ofensa para quem não se sente ofendido. Ora, não pode existir o perdão ou o ato de perdoar praticado por aquele que não se sentiu atingido por gesto, ação ou omissão de outrem. No tocante ao tema abordado aqui a ofensa se consumará quando a atitude de rejeição se der - de forma hostil - no plano concreto, físico, verbal, etc., não no plano ideológico. Afinal, como se propõe nessa apresentação, essas duas concepções da sexualidade são ideologias distintas, mesmo que fundamentadas em fatos não ideológicos.

Uma pessoa decente não maltrata ninguém simplesmente por sua diversidade cultural, social, étnica, religiosa, política, etc., nem pela sua “opção” afetiva e sexual. Em verdade os variados grupos dentre os segmentos sociais não se excluem mutuamente, mas se afirmam reciprocamente. Eu nutri afeto e amizade por vários optantes da vida sexual alternativa, no mesmo grau que nutri pelos mais caros integrantes da minha família. Sem, contudo, cauterizar a minha consciência no tocante à questão em tela, baseado nas Escrituras Sagradas. Isso porque os sentimentos existem na alma, que é alimentada pelo corpo. Já a consciência atua no espírito, que é superior. Quando, por meio de uma inexprimível dor, a alma desfalece até o reduto da morte talvez buscando descanso na luta contra a sua (da morte) obstinada e incessante transcendência, é o espírito quem levanta e firma essa alma no terreno sólido da razão que criou a fé, esperança fecunda dos viventes. O espírito, portanto, consegue edificar a razão pura por sobre o terreno fértil das inclinações latentes da alma.

Rui Barbosa nos deu uma indicação de onde buscaremos inspiração: “Não sei conceber o homem sem Deus, Ele é a chave inevitável do Universo, a incógnita das questões insolúveis. Deus não cessa de esplender no profundo do espírito como o mais resplandecente e remoto dos astros nas profundezas obscuras do éter. É a realidade suprema, de onde nos cai perenemente esse raio de luz inextinguível”.

A verdadeira beleza que eu vejo na questão ora tratada está no fato de que, mesmo diante do histórico direcionamento cultural e religioso de repúdio a homossexualidade, pessoas cuja conduta é divergente da homossexual venham a ter um relacionamento tão harmonioso e afetuoso com pessoas que assumem essa postura sexual alternativa à natural. O homossexual homem, por exemplo, consegue, muitas das vezes, imprimir um sentimento de afetuosidade e solidariedade humana naqueles que não comungam da mesma prática erótica. Isso porque, geralmente, transmitem uma impressão de despojamento pessoal (aspiração de muitos), vulnerabilidade, “fraqueza” moral (não propriamente deficiência moral) e vocação de prestativo confidente. Às vezes, por não se sentirem socialmente aprovados submetem-se a um papel submisso nas relações de amizade com conservadores ou em segundo plano na relação com o homossexual ativo. Alguns, por outro lado, sofridos, realizavam-se na anarquia acintosa como forma de revanchismo antissocial.

Em vista de ser inaceitável qualquer atitude ofensiva à pessoa que adota práticas homossexuais, torna-se humanamente belo que pessoas que chegam até a achar repugnante a interação sexual macho/macho e fêmea/fêmea defendam a dignidade de sua condição humana e cidadã, não como um favor, mas como um direito inato.

Alberto Magalhães

domingo, 1 de abril de 2012

A criação e a redenção do homem


O Senhor fez a terra, as águas salgadas e as doces, e os seus seres viventes. Com corpo físico e alma para sentir o corpo. A fauna recebeu o sangue e a flora, a seiva. Fez as árvores com seus frutos e as plantas com suas flores. Fez tudo com tantas formas, cores e aromas. Em tudo havia inteligência e amor. Fez as nuvens para regar a terra. Fez um astro para iluminar e aquecer o dia e outros astros para iluminar e embelezar a noite. Fez tudo redondo para não ter um fim. Fez o vento para empurrar as nuvens e distribuir os pingos da chuva. Pôs um sopro de canto no peito dos pássaros e aves e de voo nas suas asas. Então fez o homem para reinar. O fez com corpo humano, alma e espírito. O espírito para governar o corpo e a alma e estes para provar o espírito durante a sua jornada na terra. Fez com que cada corpo e alma nascessem de outro corpo (e homem e mulher se fizeram um na concepção do filho) e o espírito viesse DELE, que brinda cada humano com seu sopro espiritual dando-lhe consciência e entendimento. Fez os relâmpagos e os trovões para lembrar que um dia repreendeu a humanidade com muitas águas. E fez o arco íris para mostrar que lhe deu uma segunda oportunidade. Deu à humanidade patriarcas, profetas, sacerdotes, leis sagradas com seus mandamentos e ensinamentos e providenciou um Redentor para refazer o elo quebrado com ELE. Esse Redentor é homem, gerado de mulher, porque o homem deve expiar o mal que praticou, mas Ele foi gerado pelo excelso Criador (divinamente, não humanamente) para se tornarem um n’Ele e assim poder unir o criador à criatura. O Redentor da humanidade, então, tem a parte divina e a parte humana. Como ente divino tem pai espiritual, mas não tem mãe, como ente humano tem mãe biológica (Maria, de Nazaré – noiva de José, de Belém) e não tem pai biológico. O seu sacrifício entregue por si mesmo como oferenda pelo pecado foi aceito pelo Criador para cobrir o pecado do homem, ou seja, a desobediência aos preceitos divinos. O homem estava sentenciado a morrer para sempre, primeiro fisicamente e depois espiritualmente. A morte do Redentor foi aceita como substituição em favor da humanidade para livrá-la da morte espiritual futura. “O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele, como homem – sob a força do seu Espírito, venceu o mal em si mesmo e foi apresentado a Deus como sacrifício vivo, perfeito, imaculado, suficiente, completo e definitivo. E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados.” Como a morte veio por um homem – Adão, a vida veio também por intermédio de um homem – Jesus, o segundo Adão. "O primeiro, alma vivente, o segundo, Espírito vivificante". Quem pode crer, creia nessa palavra. O nosso espírito nos é dado na hora da concepção, o d’Ele existia antes da fundação do mundo. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”

O cordeiro de Deus, com o seu sacrifício pessoal, foi o cordeiro pascal (da páscoa do povo de Deus) definitivo e fez cessar todos os sacrifícios espirituais realizados, os validou e substituiu e agora homologa e aperfeiçoa cada conversão plena da criatura ao seu criador. Para voltarem a ter um contato transparente, íntimo, profundo, transformador, pleno e eterno. Naquele dia em que o mal será aniquilado no universo criado, porque a sua fonte já estará aniquilada, ou seja, aquele que lhe dá vida, aquele que é o autor da natureza contrária à original, e que trás o estado de escravidão espiritual ao homem. O querubim das pedras de fogo - com os seus anjos caídos - é o autor dessa natureza decadente e a aquele que fará o Criador provar a sublimidade, sabedoria, majestade, compaixão, misericórdia e amor do Seu ser por aqueles que o amam. O sacrifício do cordeiro de Deus é um sacrifício permanente e é o instrumento de salvação espiritual para aqueles que participam desse ritual sobrenatural apresentando-o a Deus por si – em seu lugar - e recebendo o Seu Espírito que é dado para selar o pacto. Segue-se o batismo como confissão pública, a ceia como participação no corpo e no sangue dados como propiciação pelos pecados e a obediência aos preceitos das escrituras sagradas como testemunho da novidade de vida. “Toda a lei se resume a isso: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. “Aquele que quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. “Muitos creram n’Ele mas não o seguiam, porque amaram mais a glória do mundo do que a glória de Deus”. “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e desejos”.

“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”

Alberto Magalhães

Fonte: Escrituras Sagradas.

sábado, 10 de dezembro de 2011

"A bagaceira", de Clóvis Barbosa

O artigo "A bagaceira", de autoria de Clóvis Barbosa de Melo (clovisbarbosa.blogspot.com), foi postado no http://www.textos-livres.blogspot.com/ com comentários em 28 de fevereiro de 2010.

Alberto Magalhães

domingo, 20 de março de 2011

Deus

De repente tudo parece ser ilusão, fantasia. Família, amigos, amor, ódio, honra, dever de ofício, sonhos, ideais, corpo, vida, morte. Tudo o que de profundo se relaciona com os tais passa a aparentar ser fantasia da mente e se desfará como a neblina ao amanhecer. Deus, esse ser tão magnífico e, por vezes, distante, inalcançável, é a verdade que nunca se apaga e uma chama que não se extingue dentro de mim, a me revelar cruamente para mim mesmo. Ultimamente mata-me aos poucos, sem me destruir. Confunde-me nos meus caminhos, me transtorna sem me enlouquecer. Consome-me sem me aniquilar. Revolve-me completamente, sem me tocar um dedo. Porque na minha omissão eu não mais aborreço os ímpios. Ainda assim Ele me ampara e me protege das forças ocultas. Embora me subverta contra mim mesmo, é quem dá sentido aos meus dias e me faz rir dos poderosos. Por vezes transborda-me de profunda dor ou imenso prazer...

Alberto Magalhães

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Desconstruir



Se você que crê em Deus soubesse que Ele fez alguma coisa, você iria lá desmanchar?
Ele criou a natureza, é correto você destruí-la?

Ele instituiu o casamento com a fidelidade conjugal. Você quereria praticar o adultério, ridicularizando algo que o próprio Deus instituiu e que você tem a liberdade de realizar na hora - e com quem - você quiser? 

Deus criou o homem para a mulher e a mulher para o homem - constituindo a família e trazendo vidas ao mundo - você iria, sendo homem, deitar-se com outro homem e sendo mulher deitar-se com outra mulher, desprezando o milagre que te trouxe ao mundo?

Sabendo que Ele é espiritual, único e auto suficiente você iria venerar outras divindades e tentar se proteger nelas, especialmente aquelas que um dia foram de carne e osso?

Sabendo que Ele é o dono de tudo o que existe você iria disponibilizar a sua alma para o mal em troca de bens materiais que não serão levados com você na morte, fato irrevogável que você não se sabe o dia e nem a hora que vai ocorrer, podendo ser hoje?

Deus fez o seu corpo para abrigar o seu espírito na terra, enquanto o prepara para a eternidade (se a queres). Nós devemos destruir esse corpo, formado pelo Criador, com drogas e similares, contaminando o santuário do nosso espírito e espaço da manifestação divina?

Devemos desmanchar o que outro criou com tanto cuidado?

Alberto Magalhães

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A espiritualidade

Os mistérios de Deus revelados

Existe a ordem natural, a social e a espiritual, integrada pelo homem, cidadão e pelo crente. Seja este último da religião que for ou de nenhuma, desde que se relacione com Deus (Jeová, Alá, Arquiteto do universo, etc.) como o Criador, Mantenedor e Princípio de tudo o que existe.

O descrente,cético ou ateu rejeita a espiritualidade e é chamado de “materialista”. Os espiritualistas são todos aqueles que cultivam a espiritualidade seja na religião Espírita, Católica, Evangélica, Hindu, Islamita, etc. O Cristão autêntico não aceita a doutrina (preceitos) do Espiritismo, já os Espíritas aceitam parte da doutrina Cristã, embora a interpretem de forma diferenciada em muitos pontos, segundo o seu criador Allan Kardec.

Os Islamitas ou Muçulmanos crêem em Deus como um ser único, indivisível. Os Cristãos crêem em Deus como o Pai (Criador), o Filho (o Verbo de Deus, o 2° elemento da Trindade, saído de Deus e extensão de Seu ser) e o Espírito Santo (o 3° elemento que os une e força ativa de Deus). Um em três e três sendo um. 

Para os Cristãos (discípulos de Jesus Cristo e adoradores do Pai), Deus fez o mundo pelo seu poder e sabedoria. Deus é o Princípio de tudo o que existe e o Filho é o Princípio de tudo o que foi criado. Com a criação do universo físico surge a dualidade: Deus é o Princípio ativo, poderoso, eterno que tem a sua afirmação pela matéria, pelo tempo, pela efemeridade, pela morte que afirmam (revelam) a imaterialidade do Seu ser, a Sua eternidade. A dualidade atesta que a escuridão é revelada pela luz, o mal pelo bem, a vida pela morte... Sem a morte não existiria a vida. Haveria apenas uma existência, como a da pedra. Essa dualidade existe dentro do universo físico que é reflexo da dualidade Deus/matéria.

A primeira comunidade criada por Deus com livre arbítrio (liberdade de agir) foi a dos Anjos, a qual falhou por intermédio de Lúcifer – o Anjo de luz, e a segunda comunidade (do homem), que Deus criou dentre a matéria para ser mais dependente d’Ele, falhou logo com Adão e Eva – os primeiros, mas também induzido pelo Anjo rebelde e vaidoso. Deus ainda procura adoradores que amem espontaneamente ao seu Criador.

Para os Cristãos o Filho (o Verbo saído de Deus no princípio) integrou-se à matéria em Jesus, que foi gerado numa mulher que não tinha sido tocada por homem, porque se tratava de uma "inovação" de Deus no plano material. Deus havia unificado a si mesmo em três, agora Ele unificava a matéria a si mesmo. O verbo foi gerado em Deus (Espírito), Jesus foi gerado em Maria (matéria). O Seu Espírito não “nasceu” com o seu corpo humano, Ele existia desde o princípio de tudo (“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós...” João 1:14). Com a fecundação divina de Jesus, Maria não se tornou Deus (nem mãe de Deus), Deus tornou-se homem. Toda a espécie humana foi selada em Jesus, não em Maria que teve sua grandiosa missão cumprida. Maria não teve sua formação biológica alterada, vindo depois a ser esposa (de José) e mãe de vários filhos e a pessoa mais abençoada entre toda a humanidade. Jesus, no entanto, pagou o preço da inimizade e afastamento da humanidade com o seu criador. Fez um acordo com o Pai para morrer pela transgressão de Adão e de seus descendentes e formar espiritualmente uma nova geração de humanos (que aderirem a esse pacto), voltados à condição original de obediência, adoração e comunhão. Jesus era o único homem capaz de fazer essa expiação por ser o único homem isento da transgressão original (feita pelo 1º Adão).

A dualidade Espírito/matéria foi desfeita. Agora Deus é um só em tudo. Para isso acontecer Deus criou um outro homem no ventre de Maria, o 2º Adão (Jesus, o Cristo) feito para iniciar uma nova geração de homens com acesso à dimensão espiritual. Na integração de Deus com a matéria/homem o Espírito Santo tem a liberdade e a alegria de fluir plenamente nos fiéis (embora possa fluir em qualquer um). Jesus veio restaurar a ligação perdida, resgatar a descendência espiritual.

Jesus é o Salvador do homem descendente do 1º Adão, o qual foi induzido pelo Anjo rebelde (posteriormente à queda, denominado Satanás) perdendo o direito à imortalidade e promovendo um desequilíbrio no universo criado, gerando uma consciência oposta a de Deus, conflitante com a sua natureza e que não pode subsistir. Essa nova consciência será eliminada. Mas Deus, na Sua insondável Sabedoria faz tudo seguindo as regras físicas e espirituais por Ele criadas para que a transubstanciação (de Jesus) fosse perfeita no campo físico e espiritual. Deus age assim por causa dos Anjos e de Sua própria Justiça. Jesus veio renovar a primeira aliança de Deus com os homens, para aqueles que (pela fé) esperavam a salvação de Deus e para aqueles que agora a recebem. (Jesus, o Verbo gerado homem pelo Espírito de Deus. A face visível, material, humana de Deus). Fisicamente descendente de Adão e espiritualmente de Deus Ele é o único homem capaz de cumprir a promessa de Deus feita a Abraão de suscitar um descendente de Daví para restaurar a santidade no homem e a religação (do grego religare, originador da palavra religião) com o Criador.

Por tudo isso Jesus ressurreto tem o poder sobrenatural de agir no espaço, no tempo, na matéria. Maria não dispunha desse dom e – como qualquer mortal, ainda não dispõe. Jesus nunca fez sexo, não gerou filhos. Se isso acontecesse surgiria um distúrbio espiritual nos planos de Deus, haveria homens com a natureza Divina. Ao invés de um Deus-homem, haveria homens-Deuses. Deus é o Senhor dos desígnios, do tempo, da vida, do bem e do mal... E estabeleceu regras de ordem natural, social e espiritual para todos. Portanto os Anjos (seres espirituais que não serão homens) e os homens (que serão anjos superiores) que transgredirem as regras (como o Anjo decaído com os seus seguidores Anjos e homens) não terão um destino bom. A Bíblia fala em dois lugares distintos para os seres criados, conforme seus atos. Os anjos seguidores de Satanás (1/3 da criação celeste) são os demônios que transitam na terra.

O Verbo, em sua missão anteriormente anunciada por vários profetas, da Glória Celeste desceu à terra, à matéria, à um corpo humano, à um estábulo, à prisão, à cruz, ao escárnio, à solidão da morte de corpo amaldiçoado pela transgressão original, ao túmulo e ao abismo, trono de Satanás. Jesus cumpriu todo o ritual destinado aos homens, mas quando o Pai o ressuscitou Ele trazia nas mãos a vitória sobre a desobediência, a rebeldia, a separação espiritual, a morte, as trevas e sobre o deus (Satanás) deste universo decadente, derrotado de forma irrevogável pelo Amor, Justiça e Sabedoria de Deus.

Nas Escrituras Sagradas Jesus é chamado de o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, a Raiz de Daví, a Estrela da manhã, o Príncipe da Paz, a luz, o Pão, o Mestre, o Redentor, o Salvador, o Libertador, Rei dos Reis, Senhor dos senhores, o Messias, o Cristo, Maravilhoso, Conselheiro, Pai da eternidade...

A próxima ação do Criador, já consumada na unificação do homem Jesus com o seu Filho espiritual (o Verbo), será a imortalidade do homem. O evento da encarnação (não reencarnação) e expiação de Jesus na cruz garantiu, por uma operação do Espírito de Deus, um Espírito imortal para o homem.

Deus chama a todos para o caminho certo. Jesus não veio só para unir dois universos. Veio unir o homem a Deus. Fazer dos seus novos irmãos não mais criaturas, agora filhos, com a consciência do Pai. Herdeiros e imortais participantes do Seu reino.

Alberto Magalhães

Fonte: As Escrituras Sagradas

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

*Nietzsche e a morte de Deus – Deus e a morte de Nietzsche

No ano de 1844 (Outubro), nascia na Saxônia um homem que se tornaria um dos maiores pensadores do século XIX. Não tanto pelo sucesso acadêmico, mas pelo seu senso racional, ele viria dar exemplo de que, quem quer aprender é só estudar, é só querer. Estamos falando de Friedrich Wilhelm Nietzsche. Que mente brilhante! Que senso crítico notável! É conhecido como o filósofo da “morte de Deus”. Que coisa fantástica! Um homem que teve a ousadia de anunciar a “morte de Deus”, realmente é digno de admiração.

Temos conhecimento da procedência teológica de Nietzsche (Luteranismo), tendo se tornado depois um homem revoltado com a religião. Mas o problema maior, não é o fato de ele ter se afastado da religião. O cerne da questão é o seu total afastamento de Deus, pois declara em seu livro The Joyful Wisdom (O Prazer da Sabedoria) “...a crença no Deus cristão se tornou indigna de crédito; nós os filósofos, sentimo-nos irradiados como por uma nova aurora ao sabermos que o velho Deus está morto, nossos corações transbordam de expectativa...” (nº 343, pág 275). É interessante observarmos que o termo Deus “cristão” ou “judaico-cristão” é um termo reducionista, colocando a crença em Deus como procedente da cultura e religião judaicas. Estudos antropológicos vão confirmar que o monoteísmo é a priori da história da humanidade e o politeísmo, a posteriori. A crença no Deus adjetivado de judaico-cristão é anterior à civilização judaica. O patriarca Abraão que viveu 2.500 anos a.C. era caldeu e já exercia a fé em Deus e foi cognominado de “o pai da fé”. Este conheceu um sacerdote do Deus Altíssimo, chamado Melquisedeque, da terra de Salém. Vemos, portanto, que nessa época o legislador Moisés ainda não existia e tão pouco a civilização judaica. A civilização grega (300 a.C), conquanto fosse mitologicamente politeísta, um de seus poetas, de nome Aratos, falou de Deus em seu poema Fenômenos, no qual diz: “Dele também somos geração”. Em outras palavras o poeta disse: de Deus somos procedentes. Os hebreus fundaram uma nação político-teocrática, baseados em uma crença anteriormente experimentada.

Nietzsche e seus seguidores deveriam ver isso. Se os judeus e os supostos cristãos distorceram a fé transformando-a num dogma, e a devoção num estado de alienação, nada tem a ver com a personalidade de Deus e Seu ser amoroso. O fato de alguém usar uma faca para ferir, não significa que a faca seja má. Mau é o usuário – o mal está neste e não naquela. A metáfora acima se aplica a Deus e ao Cristianismo distorcido como o vemos hoje – a maldade está nos seguidores e não Naquele.

Alguns objetam que o Deus o qual Nietzsche anunciou a morte é o deus cultural, o deus da religião. Vale a pena fazer uma observação importante: há 2000 anos atrás, houve um homem chamado Jesus que também anunciou a morte do deus cultural e da religiosidade hipócrita. Por outro lado, mostrou na prática que há um Deus real, Único e Soberano, maior que o deus da cultura e da religião. Um Deus libertador dos oprimidos, justo e de amor – Jesus disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Por que ele (Nietzsche) não fez o mesmo? O deus monopolizado pelas religiões não é digno de adoração e nem devemos crer nele. Esse deus aliena, oprime e mata. Nietzsche não queria esse deus – Jesus também não. Nietzsche não cria nesse deus e nem no Deus de Jesus. Ele tinha ódio do deus da religião e medo do Deus de Jesus.

Nietzsche morreu e Deus continua vivo. Deus existe e nunca deixou nem deixará de existir, pois é eterno e transcendental. Marx disse: “...A religião é o ópio do povo” – Jesus não é religião, não é um dogma; é a verdade única e eterna. O Catolicismo, o Protestantismo e as demais religiões são criações do homem. Deus não tem culpa das falhas dos religiosos. A espiritualidade é pessoal e intransferível e não é conflitante com a religião Cristã pura, antes é uma característica do religioso humilde, desprovido de intermediações entre ele e o Criador, a não ser a Bíblia com uma interpretação pura. Deus não existe apenas para quem crê. Antes que a religião e o seu criador (o homem) existissem, Deus já existia eternamente antes até mesmo desse negócio que chamamos de tempo, mas que não sabemos muito bem o que é. As Sagradas Escrituras dizem: “Deus colocou no homem a idéia da eternidade”, e mais: “Nele vivemos, nos movemos e existimos”. Nós não podemos inventar Deus – Ele, sim, foi quem nos criou. Deus chama pessoas para servir a Ele e não à religião. A religião quando deturpada é um túnel escuro e sem saída – podemos ver isso na atual guerra EUA x Iraque: este, mulçumano; aquele, protestante. O orgulho demasiadamente humano de Nietzsche e outros não os deixaram ver além da religião e da cultura.

Esse filósofo e as pessoas que dizem não crer em Deus deviam ver que o oxigênio que elas respiram não é cultural e nem religioso: é natural, gratuito e abundante para todos os pulmões no mundo inteiro e em todas as épocas. Por que não reconhecem isso? É aceitável fazer críticas às religiões, pois elas são passíveis de críticas. Mas é inaceitável criticar Deus que nenhum mal nos fez. Jesus criticou a religiosidade hipócrita, mas amava a Deus e O chamava de Pai de Amor.

Guilardo Tavares de Freitas, professor graduado em Letras com especialização em inglês e especialização em informática aplicada à educação, pela UFPB. Bacharelando em Teologia, pelo Instituto Cristão de Pesquisa – ICP

Fonte: http://www.paraibavip.com.br/

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

*Deus

(Discurso no Colégio Anchieta)

Rui Barbosa*

Grande é a ciência, bem o creio; é a maior de todas as grandezas; mas abaixo da outra: a divina, que lhe há de sobrepairar eternamente. Deixem-me clamar assim ao menos aqui, neste suave abrigo do espírito, a minha convicção, último fruto que me estende sazonado a árvore da vida: não sei conceber o homem sem Deus, e ainda menos acreditar na possibilidade, atual ou vindoira, de uma nação civilizada e atéia. Envelhecerei na persuasão do velho Plutarco, imanindo menos a custo uma fortaleza sem alicerces que um povo sem Deus. Milhares de anos resvalaram por sobre esta verdade, milhares hão de resvalar, sem que ela desmaie.

Não alcanço o ponto de vista de Sirius. Mas no ponto de vista da humana razão, ao menos até onde ela coincide com a minha, Deus é a necessidade das necessidades. Deus é a chave inevitável do Universo, Deus é a incógnita dos grandes problemas insolúveis, Deus é a harmonia entre as desarmonias da criação. Incessantemente passam, e hão de passar no vórtice dos tempos, as idéias, os sistemas, as escolas, as filosofias, os governos, as raças, as civilizações; mas a intuição de Deus não cessa, não cessará de esplender, através do eterno mistério, no fundo invisível do pensamento, como o mais remoto dos astros nas profundezas obscuras do éter. A realidade suprema, de onde nos cai perenemente esse raio de luz, é inextinguível. Mas de tão longe nos vem ele na imensidade do existir, que, ainda quando momentaneamente lhe pudéssemos supor apagado o foco remotíssimo, primeiro pereceria a humanidade que deixasse de ver aceso na estrema do horizonte esse ponto luminoso.

*Textos escolhidos, série "Nossos Clássicos", Agir Editora, 2ª edição, 1968

 
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Sobre Jesus

Cristo incomodava demais os líderes religiosos da época que pretendiam ser os detentores da verdade teológica (...) no sermão do monte, Jesus amplia a visão do relacionamento e da comunhão com Deus para além dos limites da liturgia, dos sacrifícios (de animais*), dos cerimoniais e do sacerdócio, esclarecendo que o verdadeiro sentimento religioso nasce de um coração quebrantado, da fé manifestada nos gestos e da pureza das nossas intenções (...) os ensinos do sermão do monte propiciam o alargamento da nossa visão no que se refere aos valores do reino de Deus essencialmente diferente dos valores do reino dos homens. Isso porque o Cristianismo é, antes de tudo, um desafio à nova vida, à nova mentalidade, ao novo andar, ao novo comportamento, às novas opiniões e aos novos sentimentos. É um desafio para que adotemos um novo caminho enquanto tanta gente vaga nos descaminhos de uma sociedade doente e decadente.
*nota do blog

Autor: Carlos César Peff Novaes, Pr.

Jesus não ensinou nenhuma nova lei, nenhuma técnica de piedade e não tinha nenhuma inclinação para a casuística moral ou jurídica e para todas as questões da interpretação da lei (lei mosaica*), Ele anunciou uma nova liberdade em face da legalidade: o amor sem limites.
*nota do blog

Autor: Hans Kung

*Será que o sionismo fracassou?

Por Rav Moshe Bergman

Há 61 anos, o povo judeu teve o privilégio de concretizar o que gerações anteriores não haviam conseguido. O Estado de Israel foi criado, tornando-se um fato consumado. Quando Herzl apresentou, no primeiro Congresso Sionista, a visão de um Estado judeu, suas palavras pareciam um delírio estranho. Apesar de tudo, o movimento sionista conseguiu cumprir o seu propósito. Hoje, ao voltarmos nossos olhos para 61 anos atrás, temos que examinar se o objetivo do movimento sionista foi realmente alcançado.

O Estado de Israel difere, num ponto essencial, de todos os outros países. Toda nação foi criada por pessoas que nela viviam. Ao Brasil, por exemplo, acorreram pessoas de todas as nacionalidades. Com o passar dos anos, criou-se entre elas uma cultura e língua comuns e elas se transformaram no povo brasileiro. O povo opunha-se a que um monarca estrangeiro (no caso do Brasil, o rei de Portugal) determinasse o seu modo de vida. Foi assim que o Brasil se tornou independente. O mesmo aconteceu com todos os países do mundo: as pessoas que ali viviam desejavam um governo soberano.

O Estado de Israel é diferente dos demais. Ele não se estabeleceu, foi estabelecido por pessoas que já eram cidadãos dos países em que viviam. O que havia de comum a todas elas, que se autodenominavam “judeus”? Ora, os judeus da Rússia e do Marrocos não tinham uma nação, uma língua ou uma cultura em comum.

O único elo que os unia era uma tradição religiosa ortodoxa antiga. Uma tradição “estranha”, que não foi abandonada pelos que nela acreditavam, apesar de milhares de anos de perseguições e pogroms. Ainda que suas exigências fossem mais numerosas e severas que as de outra religião, cumpriam suas normas zelosamente. Não foram feitas “retificações” e “reformas” liberais para modificá-la ou adulterá-la. Apesar de viverem entre religiões e nações distintas, estes judeus não assimilaram a religião local. Preferiram, de um modo racionalmente inexplicável (segundo a concepção laica), persistir em sua religião distinta e singular. A não ser por esta preservação obstinada da religião, não há nada que sirva de elemento de união entre os judeus do mundo.

Há cerca de 157 anos, algo estranho aconteceu com o povo judeu. Um grande grupo decidiu abandonar oficialmente a religião judaica, aquela mesma religião pela qual seus antepassados estavam dispostos a morrer e que preservava a união judaica. Estas pessoas, no entanto, tomaram uma decisão inusitada: ainda que não cumprissem os preceitos religiosos, consideravam importante manter-se judeus. Queriam identificar-se como judeus, construir escolas judaicas e ainda mais: criar um estado judeu.

Por que este interesse em preservar o Judaísmo? O que há de mal na assimilação aos habitantes dos países nos quais viviam? Qual a essência deste Judaísmo? O que há em comum entre os judeus do mundo atualmente?

Judeus laicos não têm uma resposta clara e coerente para tais questionamentos. Não obstante a falta de lógica que nisso existe, as pessoas preservaram o Judaísmo. Apesar da definição nebulosa e pouco clara do conceito “Judaísmo”, fizeram algo sem precedentes na história da humanidade. Foram, com dedicação plena, para uma terra primitiva, repleta de doenças e de guerras. Abandonaram seu trabalho e uma vida ordenada e estabeleceram novas colônias agrícolas. Lutaram com todas as suas forças e morreram pela criação do estado judeu. Até hoje nos surpreendemos e valorizamos a atitude heróica dos soldados de Tzahal.

Por que era tão importante criar um estado judeu? Qual era o objetivo do movimento sionista?
Quando Herzl falou sobre a visão de um Estado judeu, tinha diante de si dois objetivos.

1. A salvação física do povo judeu

O julgamento de Alfred Dreyfus, um judeu que foi condenado pelo simples fato de ser judeu, exerceu sobre ele grande influência. Herzl argumentava que o problema do anti-semitismo seria resolvido apenas com a criação de um estado judeu. Então, os habitantes locais não mais nos considerariam como pessoas que observam uma tradição diferente. Seríamos um povo natural, aceito com compreensão, à semelhança dos demais. O terrível Holocausto que teve lugar mais tarde, provou, aparentemente, o argumento de Herzl. Somente um estado judeu seria capaz de assegurar o bem-estar e a sobrevivência física do povo.

O próprio Herzl não podia oferecer uma explicação lógica para o fenômeno “inusitado” da não assimilação do povo judeu. Por que é preciso criar um estado, ao invés de assimilar-se às nações? Se a religião judaica carece de importância, por que é necessário preservar este povo e criar para ele uma pátria? Não seria mais simples, por exemplo, que os judeus da Itália se transformassem em italianos leais ou os judeus da Polônia, em poloneses leais, resolvendo desta forma o problema da distinção dos judeus?

2. O valor espiritual do povo judeu

Os fundadores do sionismo viram que o povo judeu possui valores morais mais elevados que os de todos os outros povos do mundo. As visões proféticas (que pregavam a preservação da religião judaica) são caracterizadas por um nível muito alto de moralidade e de preocupação com o bem-estar do próximo. O povo de Israel precisa assegurar sua existência a fim de servir de “luz para as nações”.

Devemos preservar o Judaísmo, mas somente em sua esfera moral. Esta luz será então difundida pelo mundo. Ben Gurion declarou ser este o objetivo principal do Estado de Israel. Porém, o próprio Ben Gurion não sabia explicar por que, para isso, era necessária justamente a Terra de Israel. Tal visão poderia ser igualmente concretizada em Uganda, ou num dos estados norte-americanos. Esta visão é também universal, não havendo necessidade da “Lei do Retorno”, que permite a imigração a Israel apenas para judeus. Todo aquele que compartilha desta visão moral deveria receber permissão para imigrar.

Hoje, após 61 anos, devemos examinar como o Estado de Israel se posiciona diante destas incumbências.
Será que o Estado de Israel preserva, atualmente, a sobrevivência física do povo judeu?
A realidade prática é totalmente inversa. O Estado de Israel é hoje o principal lugar em que judeus são mortos pelo simples fato de serem judeus. As notícias desoladoras que chegam de lá acrescentam novas vítimas diariamente. É justamente na Diáspora que os judeus contam com uma segurança maior. No Brasil ou nos Estados Unidos, os judeus passeiam pelos shoppings e pelo centro da cidade com uma sensação de segurança muito maior que a dos habitantes da capital de Israel.

A probabilidade de que uma bomba atômica caia, Deus o livre, sobre o Estado de Israel, vinda do Irã ou do Iraque, é muito maior, atualmente, do que a ocorrência de um novo Holocausto nos Estados Unidos.
Se a salvação física era seu propósito primordial, a visão sionista foi um fracasso retumbante. 61 anos depois da criação do Estado, a paz tão almejada sequer é vislumbrada no horizonte.

Porventura o Estado de Israel é hoje uma “luz para as nações”?

Quem lê as notícias internacionais chega a uma conclusão oposta. Apesar de sabermos que os fatos são inversos, o Estado de Israel é sempre apresentado como vilão. Aos olhos do mundo, somos assassinos de cidadãos inocentes, que lutam pela liberdade de sua pátria. A televisão brasileira, por exemplo, sempre é mais compreensiva com as posições do lado árabe. Quando participo das reuniões do Consulado de Israel, os mesmos argumentos se repetem: por que a divulgação de Israel fracassa? Não há dúvida nenhuma que, atualmente, o Estado de Israel não constitui nenhum modelo moral positivo e elevado aos olhos do mundo.

Talvez até mesmo o contrário - um modelo cruel e distante dos parâmetros da moralidade. As propostas exageradas de Ehud Barak aos árabes tampouco fizeram que o mundo chegasse à conclusão que somos nós os que têm razão.

A conclusão que aparentemente se faz necessária é que a criação do Estado de Israel foi um grande fracasso. Os fundadores do Estado não alcançaram nenhum objetivo e é preferível fechar suas portas ou abandoná-lo o mais rápido possível. Não é surpreendente que argumentos deste tipo sejam hoje proferidos, sem nenhum pudor, pela imprensa israelense laica.

Mas o sionismo tinha um objetivo adicional, não declarado abertamente por seus principais fundadores, e considerado essencial pelo sionismo religioso, participante pleno do empreendimento sionista.
A partir do momento em que retornamos para uma definição religiosa do povo judeu, tudo se esclarece. O povo de Israel é um povo cujo propósito é aproximar-se, por intermédio das leis bíblicas, da vontade divina. Deste modo, alcançaremos a felicidade máxima do ser humano, bem como sua principal finalidade em vida. Devemos levar a palavra de Deus para o mundo, difundindo-a entre os povos. A tradição ortodoxa, que serviu de elemento comum entre os judeus por milhares de anos, constitui o âmago e o significado do Judaísmo. Por isso, nos é proibida a assimilação aos demais povos e devemos preservar a singularidade de nossa religião.

Este propósito religioso só pode ser plenamente realizado em Israel, o lugar adequado para atingir as qualidades espirituais e a proximidade de Deus.
A Diáspora não é uma condição saudável, ou natural, para a vida do povo e da religião judaicos. Uma parte essencial da vida religiosa plena é a de ser um povo. Não “brasileiros de fé mosaica”, e sim um povo judeu. Um povo com um estado, um governo, uma bandeira, um hino e uma cultura religiosa próprios.

Esta é a concepção que o sionismo veio sanar e corrigir. Quanto mais progredirmos em direção a este objetivo, mais próximos estaremos de concretizar outros, tais como a segurança, a paz e a “luz para as nações”. A Torá assegura que, uma vez cumpridos os preceitos bíblicos, os problemas de segurança serão resolvidos: “Se nos Meus estatutos andardes e Meus preceitos guardardes... darei paz à terra, e vos deitareis e ninguém vos amedrontará” (Levítico, 26:3). Então, também difundiremos a luz da religião judaica para todos os povos do mundo. Esta é a profecia de Isaías (2:3): “Muitos povos virão, dizendo: ‘Vinde, subamos ao monte do Eterno, à casa do Deus de Jacó! Para que ele nos instrua a respeito dos seus caminhos e assim andemos na suas veredas’. Com efeito, de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém, a palavra do Eterno... E quebrarão as suas espadas, transformando-as em relhas, e as suas lanças, a fim de fazerem podadeiras. Uma nação não levantará a espada contra a outra, e nem se aprenderá mais a fazer guerra. Ó casa de Jacó, vinde, andemos na luz do Eterno”.

Este é o caminho da Terceira Redenção do povo judeu. No início, uma redenção material, o retorno ao modo de vida normal e natural do povo, enquanto nação. Depois dela, o retorno espiritual, quando então nos fortaleceremos com a tradição e a religião do povo. Se esta é a finalidade do sionismo, ele resultou num imenso sucesso. A mitzvá de colonização da Terra de Israel, cujo cumprimento foi impedido por tão longo tempo, voltou a ocupar seu lugar central na vida do povo. O governo autônomo judaico em Israel retornou. Centenas de milhares de judeus, observantes das normas religiosas, cumprem hoje preceitos que dependem da existência da Terra de Israel. O centro espiritual e religioso do povo foi reconstruído, depois do Holocausto, no Estado de Israel. Surgiu um movimento de retorno em massa e a porcentagem dos que voltam às raízes aumenta dia a dia. É possível ver com facilidade o grande mérito que tiveram os fundadores do Estado se fizermos uma comparação com a condição espiritual característica das comunidades judaicas da Diáspora. A maior parte dos jovens laicos perde todo interesse pelo Judaísmo, acaba se casando com não-judeus e se desliga do povo para sempre.

Em Israel, a maioria conhece a tradição e muitos voltam às raízes. Sua probabilidade de retornar ao Judaísmo original é muito maior. Já não está longe o dia em que veremos o Estado de Israel conduzindo-se de acordo com a Halachá em todas as esferas. É verdade que nem tudo é cor-de-rosa e ainda há muito para consertar, pelo que lutar. Porém, não há dúvida que um grande progresso foi alcançado com a criação do Estado. O processo está apenas em ascensão.

Por isso, certamente devemos nos alegrar e agradecer a Deus. No Yom Haatzmaut, dia da independência do Estado de Israel, devemos reconhecer a graça que tivemos o privilégio de receber. Por esta razão, nos reuniremos em nossas sinagogas, hastearemos com orgulho a bandeira de Israel e louvaremos a Deus, com alegria, pela dádiva que nos concedeu com a criação do Estado de Israel.

É verdade que os principais líderes da criação do Estado falavam abertamente sobre uma visão totalmente distinta. Contudo, temos certeza que, no seu íntimo, esta também era a sua motivação. Como já vimos, a concepção laica da criação do Estado de Israel está repleta de contradições e falta de lógica. Não há dúvida que a motivação real era o sentimento judaico profundo que a religião deixa como marca dentro de nós. Em todo judeu se revela uma qualidade única, inclusive naqueles que, exteriormente, aparentam estar destituídos de toda santidade espiritual judaica. O valor de cada judeu é muito grande aos olhos de Deus. Ainda que suas palavras pareçam uma heresia total, a motivação interior e verdadeira é o sentimento religioso, que ainda arde no seu coração. O final do processo será o retorno ao Judaísmo verdadeiro e a redenção completa do povo judeu.

Fonte: www.masuah.org

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

*A história de Israel

ISRAEL - País do Oriente Médio asiático, banhado pelo Mediterrâneo, tem fronteiras ao norte com Líbano e Síria, a leste e sul com a Jordânia e com o Egito. Tem um pequeno litoral voltado para o Índico, pelo Golfo de Acaba e divide margens do Mar Morto com a Jordânia. Seu nome significa 'venceu com (Yisra) Deus (el)', em hebraico. Israel é também o segundo nome do patriarca Jacó, cujos descendentes, na tradição hebraica, são chamados bnei yisra'el, 'filhos de Israel'.


O registro histórico mais antigo que se conhece sobre o nome Israel está mencionado na Estela de Merneptah (num poema dedicado ao faraó Merneptah), em que o nome é associado a um povo, mas não a uma localização geográfica. Ao que se sabe, o Povo de Israel surgiu de grupos nômades que habitavam a Mesopotâmia há cerca de cinco mil anos.

No fim do século XVII a.C., este povo foi atacado e escravizado pelos egípcios. Após o fim do cativeiro no Egito, os hebreus vagaram pela região da Península do Sinai até que reconquistaram, sob o comando do rei Saul, uma parte de seu território original, as terras de Canaã, por volta de 1029 a.C.. Saul foi sucedido por David, em torno do ano 1000 a.C., que expandiu o território de Israel e conquistou a cidade de Jerusalém, onde instalou a capital do seu reino. Israel alcançou seu apogeu durante o reinado de Salomão, entre os anos 966 a.C. e 926 a.C.. Porém, pouco depois do fim do reinado de Salomão, Israel foi dividido em dois: a Norte, o Reino das Dez Tribos, também chamado de Reino de Israel, e ao Sul, o Reino das Duas Tribos, também chamado de Reino de Judá, cuja capital ficou sendo Jerusalém - do nome Judá nasceram as denominações: judeu e judaísmo. Entretanto, o território dos judeus foi sendo conquistado e influenciado por diversas potências de sua época, entre elas: assírios, persas, gregos, selêucidas e romanos.

Em 586 a.C. o imperador Nabucodonosor invadiu Jerusalém e obrigou os israelitas ao exílio. Levados à força para a Babilônia, os prisioneiros de Judá e Israel passaram cerca de 50 anos como escravos sob o domínio dos babilônios. O fim do Primeiro Êxodo possibilitou a volta dos israelitas a Jerusalém, que foi reconstruída.

Mais tarde, os romanos invadiram e dominaram a região e estabeleceram que o reino judeu seria seu protetorado. A primeira grande revolta contra o domínio romano e sua intromissão nos assuntos religiosos se iniciou no ano 66 e durou até 70 d.C., quando o general Tito invadiu a região e destruiu Jerusalém e o seu Templo. A região então foi transformada em província romana e batizada com o nome de Provincia Judaea. A segunda e última rebelião contra os romanos foi a Revolta de Bar Kochba. A rebelião foi esmagada pelo imperador Adriano em 135 d.C. e os judeus sobreviventes foram feitos escravos e expulsos de sua terra, na chamada 'diáspora'. Naquele mesmo ano, Adriano rebatizou a Provincia Judaea para Provincia Siria Palaestina, um nome grego derivado de 'Filistéia' como tentativa de desligar a terra de seu passado judaico. A Mishná e o Talmude Yerushalmi (dois dos textos sagrados judaicos mais importantes) foram escritos na região neste período.

Depois dos romanos os bizantinos e posteriormente os muçulmanos conquistaram a Palestina em 638. Seu território foi controlado por diferentes Estados muçulmanos ao longo dos séculos (à exceção do controle dos cristãos cruzados, no Século XI) até fazer parte do Império Otomano, entre 1517 e 1917.

O sionismo (termo derivado de Sion, nome de uma colina da antiga Jerusalém), surgiu na Europa em meados do século XVII. Inicialmente de caráter religioso, pregava a volta dos judeus à Terra de Israel, como forma de se proteger sua religião e cultura ancestral. Entre os séculos XIII e XIX o número de judeus que fizeram aliá (ato de um judeu imigrar para a Terra Santa) foi constante e sempre crescente, estimulado por periódicos surgimentos de crenças messiânicas e de perseguições anti-judaicas. Estas perseguições tinham quase sempre um caráter político-religioso. Os judeus que retornaram à Palestina se estabeleceram principalmente em Jerusalém, mas também desenvolveram significativos centros em outras cidades nos arredores. Os judeus já eram a maioria da população de Jerusalém no ano de 1844, convivendo com muçulmanos, cristãos, armênios, gregos e outras minorias, sob o domínio turco-otomano. A estes migrantes religiosos foram se juntar os primeiros migrantes seculares a partir da segunda metade do século. Eram em geral judeus da Europa Central e adeptos de ideologias socialistas. Porém, o sionismo moderno - fundado por Theodor Herzl, a partir de 1896 - aos poucos foi ganhando peso entre os judeus de outras partes do mundo. Começaram então novas ondas de imigrações judaicas para a província palestina, com os que lá chegavam adquirindo terras dos árabes e estabelecendo colônias e fazendas coletivas (Kibbutzim).

A escolha da causa sionista pelo território da então província palestina derivava de todo o significado cultural e histórico que a antiga Israel bíblica possuía para o povo judeu. Os sionistas defendiam a criação de um estado judaico em todo o território original de Israel, o que incluiria hoje a atual Jordânia, embora propostas de cessão de territórios na Patagônia, no Chipre e em Uganda tenham sido estudadas.

Ao término da Segunda Guerra Mundial, com a Europa destruída e os sentimentos anti-semitas ainda exaltados, milhões de judeus de todo o mundo se uniram aos sionistas na Palestina. Mas a política de restrição à imigração judaica foi mantida pelo Mandato Britânico. Como forma de burlar as determinações inglesas, grupos militantes judaicos sionistas procuravam infiltrar clandestinamente o maior número possível de refugiados judeus na Palestina. Enquanto isso, retomavam os ataques contra alvos britânicos e repeliam ações violentas dos nacionalistas árabes. Como as pressões foram se avolumando, a Grã-Bretanha decidiu abrir mão da administração da Palestina e entregou a administração da região à Organização das Nações Unidas (ONU).

O aumento dos conflitos entre judeus, ingleses e árabes forçou a reunião da Assembléia Geral da ONU, realizada em 29 de novembro de 1947 e presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, que decidiu pela divisão da Palestina Britânica em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união econômica e aduaneira. A decisão foi aceita pela maioria das lideranças sionistas, embora tenha recebido críticas de outras organizações, por não permitir o estabelecimento do estado judeu em toda a Palestina. Mas a Liga Árabe não aceitou o plano de partilha. Eclodiu então um conflito armado entre judeus e árabes.

Em 14 de maio de 1948, algumas horas antes do término do mandato britânico sobre a Palestina, David Ben Gurion assinou a Declaração de Independência do Estado de Israel. Em janeiro de 1949, Israel realizou suas primeiras eleições parlamentares e aprovou leis para assegurar o controle educacional, além do direito de retorno ao país para todos os judeus. No período entre a Declaração de Independência e a Guerra de Independência, Israel recebeu cerca de 850 mil imigrantes, em especial sobreviventes de guerra e judeus oriundos dos países árabes (sefaraditas e Mizrahim). A Guerra dos Seis Dias (de 5 a 10 de junho de 1967) gerou uma onda de anti-judaísmo nos países sob a esfera de influência soviética. Os judeus da União Soviética eram proibidos de deixar o país, mas a partir de 1969 a reivindicação dos judeus soviéticos pelo direito a imigração possibilitou um ligeiro incremento no número destes em Israel. Na Polônia, em 1967, mais de cinco mil judeus imigraram. Até 1973, ano da Guerra do Yom Kippur, 260 mil judeus desembarcaram em Israel, a maioria de países socialistas. Atualmente Israel vive um intenso conflito armado contra seus vizinhos árabes, e sua economia floresce com o forte apoio dos EUA e remessas particulares. Há o intenso e permanente conflito com o povo palestino, que quer estabelecer seu país nas terras de seus antepassados. Atualmente, Israel é governado pelo presidente Shimon Peres e pelo primeiro-ministro Ehud Olmert.

Fonte: www.ibge.gov.br