sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Somente Deus


Shakespeare escreveu: “quem não tem virtudes, assuma uma”. Assim faz o homem com sua fé: se não tem Deus – o Deus verdadeiro - em sua vida, inventa um. Então se fabricam deuses de todos os tipos e formas: de madeira, de barro, de cerâmica, das águas, das matas, guerreiro, a cavalo, a pé, pobre, nobre, uma deusa-mãe (a terra), um deus sol... A pretexto de se relacionar com uma entidade “superior” aponta-se para a existência dessas entidades no plano espiritual como a justificar tudo, até mesmo a prerrogativa divina desses seres, assumindo assim as funções de Deus. Como se o simples fato de ser espiritual significasse ser divino na plenitude da expressão. E como se um Deus eterno, soberano, onisciente e onipotente não fosse suficiente para o homem. Então se veneram espíritos rebeldes, e aos já mortos profetas, seguidores, adoradores de Deus como se estes personificassem Deus, ou seja, como se substituíssem o Ser divino que é o Criador, o Mantenedor do universo, a fonte da vida, a origem da matéria. Esquecem-se de que Deus é simplesmente Soberano, autônomo, independente, completo em si mesmo.

Como se iludir com tantos seres reais ou imaginados, para com eles se relacionar espiritualmente (por meio de rituais, ações mentais, “obrigações”, pactos, objetos, símbolos...) se o Deus, verdadeiro e único, é tão grande, completo, perfeito, suficiente, poderoso, superior ao tempo e a vida? Por que se buscar tão pouco então, se contentar com fragmentos quando se pode ter o todo?

Como também ignorá-lo? Se Ele está aqui a nossa frente em todo o instante, motor propulsor de toda essa engrenagem física e espiritual? Enorme, em uma forma que a nossa mente limitada ainda não compreendeu? A nos constranger em cada nossa ação danosa e a nos encher de refrigério a cada pensamento bom? Ele fez essa bola magnífica, cheia de árvores, frutos e de pássaros para nos acolher. A faz girar para nos trazer as estações e a brisa. Desenhou o sol para iluminar e aquecer, e para quando o astro-rei encerrar o seu turno Ele pintou a lua romântica, abajur da noite. Os pássaros louvam, as flores exalam perfumes, as cores colorem toda a natureza criada, os frutos da terra variam em tantos sabores. As nuvens regam a terra maravilhosamente e desenham no alto um arco íris, assinatura de Deus. Os relâmpagos correm pelo céu e os trovões ribombam gostosamente despertando a todos para vislumbrar um pouco da grandeza de Deus.

Façamos uma coisa então: não coloquemos nada entre nós e o Criador Pai, Filho e Espírito Santo. Nenhuma pessoa, nenhum ser, nenhuma entidade, ninguém por mais maravilhoso que seja. Sejamos nesse momento individualistas. Um minuto de Deus é maior e mais produtivo que a vida toda de qualquer um de nós, por mais brilhante que sejamos. Vamos nos aproximar, nos entregar nos seus braços, abraçá-lo, conversar, agradecer, rir por nosso amor comum e chorar as nossas dores de humano, sabendo que Ele será sensível a tudo isso quando o seu coração for tocado por aquele que o busca como a um filho carente do seu amor. Então a partir daí, ensinarmos a outros a ir sozinhos aos seus braços amigos, nessa experiência pessoal, transcendente, maravilhosa.

8h, 26 de outubro de 2012
Alberto Magalhães

sábado, 2 de junho de 2012

Sobre a homofobia

A nossa mente, geralmente, restringe o nosso entendimento e consequente interpretação das coisas percebidas. Não percebemos, na maioria das vezes, em amplitude por causa da limitação do que se apresenta, na sua forma, que não nos permite de logo discernir o seu conteúdo e a extensão da sua proposta e nuances. E isso é perfeitamente normal, visto que somos sempre limitados ao formato estático do que se nos apresenta.

A frase delineada em anterior texto, por mim escrito, que diz: “Vai se chegar ao ponto de se obrigar um pai heterossexual a comprar roupas femininas para o seu filho adolescente com inclinação homossexual, em razão da lei contra a homofobia”, é um desses exemplos. Esta colocação está inserida no texto “A família esvaziada” onde defendo a legitimidade da família como imprescindível núcleo de edificante formação social, atualmente atingida pela equivocada ingerência de parlamentares o que tem trazido dificuldades aos pais na educação dos seus filhos, estabelecendo na família uma relação meramente assistencialista. Nela, somente obrigações para os pais e direitos para os filhos.

Pois bem, primeiramente, o que é homofobia? Penso que é qualquer atitude contrária a dignidade da pessoa com preferência sexual por pessoas do mesmo sexo. E a atitude intolerante para com eles, realmente, deve ser considerada como algo errado de se praticar. Mas entendo também que qualquer pessoa que não entenda essa opção/propensão homossexual como “normal”, não deve ser considerado como homofóbico, já que essas pessoas têm uma “natureza” antagônica àquela. Mas o homossexual acha a relação heterossexual - embora contrária a que ele idealiza e lhe satisfaz -, absolutamente normal, poderia se dizer. Mas também se pode dizer que a relação heterossexual é a prática original, reprodutiva – dando continuidade a existência do ser humano -, e inter complementar no aspecto biológico. Por meio dessa relação, original e imperiosa, o próprio optante da prática sexual distinta dessa veio a existir.

A psicanálise ensina que não existe o repressor verdadeiramente, mas o reprimido. Não existe repressão real para quem não se sente reprimido, como não existe a ofensa para quem não se sente ofendido. Ora, não pode existir o perdão ou o ato de perdoar praticado por aquele que não se sentiu atingido por gesto, ação ou omissão de outrem. No tocante ao tema abordado aqui a ofensa se consumará quando a atitude de rejeição se der - de forma hostil - no plano concreto, físico, verbal, etc., não no plano ideológico. Afinal, como se propõe nessa apresentação, essas duas concepções da sexualidade são ideologias distintas, mesmo que fundamentadas em fatos não ideológicos.

Uma pessoa decente não maltrata ninguém simplesmente por sua diversidade cultural, social, étnica, religiosa, política, etc., nem pela sua “opção” afetiva e sexual. Em verdade os variados grupos dentre os segmentos sociais não se excluem mutuamente, mas se afirmam reciprocamente. Eu nutri afeto e amizade por vários optantes da vida sexual alternativa, no mesmo grau que nutri pelos mais caros integrantes da minha família. Sem, contudo, cauterizar a minha consciência no tocante à questão em tela, baseado nas Escrituras Sagradas. Isso porque os sentimentos existem na alma, que é alimentada pelo corpo. Já a consciência atua no espírito, que é superior. Quando, por meio de uma inexprimível dor, a alma desfalece até o reduto da morte talvez buscando descanso na luta contra a sua (da morte) obstinada e incessante transcendência, é o espírito quem levanta e firma essa alma no terreno sólido da razão que criou a fé, esperança fecunda dos viventes. O espírito, portanto, consegue edificar a razão pura por sobre o terreno fértil das inclinações latentes da alma.

Rui Barbosa nos deu uma indicação de onde buscaremos inspiração: “Não sei conceber o homem sem Deus, Ele é a chave inevitável do Universo, a incógnita das questões insolúveis. Deus não cessa de esplender no profundo do espírito como o mais resplandecente e remoto dos astros nas profundezas obscuras do éter. É a realidade suprema, de onde nos cai perenemente esse raio de luz inextinguível”.

A verdadeira beleza que eu vejo na questão ora tratada está no fato de que, mesmo diante do histórico direcionamento cultural e religioso de repúdio a homossexualidade, pessoas cuja conduta é divergente da homossexual venham a ter um relacionamento tão harmonioso e afetuoso com pessoas que assumem essa postura sexual alternativa à natural. O homossexual homem, por exemplo, consegue, muitas das vezes, imprimir um sentimento de afetuosidade e solidariedade humana naqueles que não comungam da mesma prática erótica. Isso porque, geralmente, transmitem uma impressão de despojamento pessoal (aspiração de muitos), vulnerabilidade, “fraqueza” moral (não propriamente deficiência moral) e vocação de prestativo confidente. Às vezes, por não se sentirem socialmente aprovados submetem-se a um papel submisso nas relações de amizade com conservadores ou em segundo plano na relação com o homossexual ativo. Alguns, por outro lado, sofridos, realizavam-se na anarquia acintosa como forma de revanchismo antissocial.

Em vista de ser inaceitável qualquer atitude ofensiva à pessoa que adota práticas homossexuais, torna-se humanamente belo que pessoas que chegam até a achar repugnante a interação sexual macho/macho e fêmea/fêmea defendam a dignidade de sua condição humana e cidadã, não como um favor, mas como um direito inato.

Alberto Magalhães

domingo, 1 de abril de 2012

A criação e a redenção do homem


O Senhor fez a terra, as águas salgadas e as doces, e os seus seres viventes. Com corpo físico e alma para sentir o corpo. A fauna recebeu o sangue e a flora, a seiva. Fez as árvores com seus frutos e as plantas com suas flores. Fez tudo com tantas formas, cores e aromas. Em tudo havia inteligência e amor. Fez as nuvens para regar a terra. Fez um astro para iluminar e aquecer o dia e outros astros para iluminar e embelezar a noite. Fez tudo redondo para não ter um fim. Fez o vento para empurrar as nuvens e distribuir os pingos da chuva. Pôs um sopro de canto no peito dos pássaros e aves e de voo nas suas asas. Então fez o homem para reinar. O fez com corpo humano, alma e espírito. O espírito para governar o corpo e a alma e estes para provar o espírito durante a sua jornada na terra. Fez com que cada corpo e alma nascessem de outro corpo (e homem e mulher se fizeram um na concepção do filho) e o espírito viesse DELE, que brinda cada humano com seu sopro espiritual dando-lhe consciência e entendimento. Fez os relâmpagos e os trovões para lembrar que um dia repreendeu a humanidade com muitas águas. E fez o arco íris para mostrar que lhe deu uma segunda oportunidade. Deu à humanidade patriarcas, profetas, sacerdotes, leis sagradas com seus mandamentos e ensinamentos e providenciou um Redentor para refazer o elo quebrado com ELE. Esse Redentor é homem, gerado de mulher, porque o homem deve expiar o mal que praticou, mas Ele foi gerado pelo excelso Criador (divinamente, não humanamente) para se tornarem um n’Ele e assim poder unir o criador à criatura. O Redentor da humanidade, então, tem a parte divina e a parte humana. Como ente divino tem pai espiritual, mas não tem mãe, como ente humano tem mãe biológica (Maria, de Nazaré – noiva de José, de Belém) e não tem pai biológico. O seu sacrifício entregue por si mesmo como oferenda pelo pecado foi aceito pelo Criador para cobrir o pecado do homem, ou seja, a desobediência aos preceitos divinos. O homem estava sentenciado a morrer para sempre, primeiro fisicamente e depois espiritualmente. A morte do Redentor foi aceita como substituição em favor da humanidade para livrá-la da morte espiritual futura. “O cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele, como homem – sob a força do seu Espírito, venceu o mal em si mesmo e foi apresentado a Deus como sacrifício vivo, perfeito, imaculado, suficiente, completo e definitivo. E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados.” Como a morte veio por um homem – Adão, a vida veio também por intermédio de um homem – Jesus, o segundo Adão. "O primeiro, alma vivente, o segundo, Espírito vivificante". Quem pode crer, creia nessa palavra. O nosso espírito nos é dado na hora da concepção, o d’Ele existia antes da fundação do mundo. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”

O cordeiro de Deus, com o seu sacrifício pessoal, foi o cordeiro pascal (da páscoa do povo de Deus) definitivo e fez cessar todos os sacrifícios espirituais realizados, os validou e substituiu e agora homologa e aperfeiçoa cada conversão plena da criatura ao seu criador. Para voltarem a ter um contato transparente, íntimo, profundo, transformador, pleno e eterno. Naquele dia em que o mal será aniquilado no universo criado, porque a sua fonte já estará aniquilada, ou seja, aquele que lhe dá vida, aquele que é o autor da natureza contrária à original, e que trás o estado de escravidão espiritual ao homem. O querubim das pedras de fogo - com os seus anjos caídos - é o autor dessa natureza decadente e a aquele que fará o Criador provar a sublimidade, sabedoria, majestade, compaixão, misericórdia e amor do Seu ser por aqueles que o amam. O sacrifício do cordeiro de Deus é um sacrifício permanente e é o instrumento de salvação espiritual para aqueles que participam desse ritual sobrenatural apresentando-o a Deus por si – em seu lugar - e recebendo o Seu Espírito que é dado para selar o pacto. Segue-se o batismo como confissão pública, a ceia como participação no corpo e no sangue dados como propiciação pelos pecados e a obediência aos preceitos das escrituras sagradas como testemunho da novidade de vida. “Toda a lei se resume a isso: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. “Aquele que quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. “Muitos creram n’Ele mas não o seguiam, porque amaram mais a glória do mundo do que a glória de Deus”. “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e desejos”.

“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”

Alberto Magalhães

Fonte: Escrituras Sagradas.