domingo, 20 de março de 2011

Deus

De repente tudo parece ser ilusão, fantasia. Família, amigos, amor, ódio, honra, dever de ofício, sonhos, ideais, corpo, vida, morte. Tudo o que de profundo se relaciona com os tais passa a aparentar ser fantasia da mente e se desfará como a neblina ao amanhecer. Deus, esse ser tão magnífico e, por vezes, distante, inalcançável, é a verdade que nunca se apaga e uma chama que não se extingue dentro de mim, a me revelar cruamente para mim mesmo. Ultimamente mata-me aos poucos, sem me destruir. Confunde-me nos meus caminhos, me transtorna sem me enlouquecer. Consome-me sem me aniquilar. Revolve-me completamente, sem me tocar um dedo. Porque na minha omissão eu não mais aborreço os ímpios. Ainda assim Ele me ampara e me protege das forças ocultas. Embora me subverta contra mim mesmo, é quem dá sentido aos meus dias e me faz rir dos poderosos. Por vezes transborda-me de profunda dor ou imenso prazer...

Alberto Magalhães

Um comentário:

  1. Forte, intenso, dramático, profundo... pungentemente belo.

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